sábado, 28 de março de 2009

Que cada um ache um Lírio diferente em cada poesia

Lirio de Seda
(L.A. Lianza)

Das intermitências de
Um pensamento
Vive o coração do
Lírio, do tempo e morte

Sonhar com mil artes
Esperar palatáveis
As formas apreciadas
Criar, criar, criar

Jovem aquele eu
Surpreendido pela
Legitimidade que
A lógica tinha

Visto que o eu
Do outro
Não era eu

Visto a arte
Do eu
Não é do outro

Embromei mais
E descobri a
Verdade, sim
Ali, eu a vi

Se de pano és
Aquele coração
Passo a entender
Como liberdade

Mas libertinagem
Provem da arte
De cortar a liberdade
Com a arte de ser livre

E ali, se eu visse
Com a lógica
Minha prévia
Prisioneiro ela seria


Mas se aprisionar é
Fazer da liberdade
A arte que nos faz
Ser livres

Divido termos para
Entender ou não

Leio, sigo e vejo
Mas isso é só curiosidade

Então

Mas no fim o eu
Do outro é tão
Diferente de mim
Que fiquei surpreso
Com a simples ação
De se repetir o feito

Assim



Esboço de um Lírio ou uma Rosa
(L.A. Lianza)

De tudo que estou farto
Volto a repetir
Estou farto de meus poemas de amor

Já não sei mais se amo quem amo
Quero amar para compreender
Não amar para talvez ter

Estou farto de dizer que desejo
Quando no fundo nem sei ao menos
Se eu sei direito

Cavadores de emoções
Suprimem suas nostalgias
E exibem o que tem de novo

Sou poeta, acho eu
Não sei suprimir nada
Tudo que tenho mistura
E Estraga
Sai em uma lapada só
A ponto de não ter mais eu

Quando chove e faz lua
Canto uma melodia crua
De quem mal pegou no baixo
E nunca foi afinado

Quando faz lua e chove
Desço do meu altar
Procuro um ser por lá
Para meu coração despedaçado

Ou nem tanto

Cavar, cavar, cavar

No sol da lua triste
O fogo que quase extingue
Faz um verde azul do mar
Que me cheira a horizonte
Sem fim e sem destino
Com cara de menino
E som de um homem

Fora do ser irreal
A lua o sol o mal
Conforme tudo
É total, é vasto
Eu me confundo

Sim!

Disforme é a forma sem forma
Mas uma forma aformada
Será sempre uma forma

Os vasos límpidos que sei que criei
Não entendo a duvida aqui dentro
Não nem ao menos os versos que inventei

Vá, vastidão para longe de mim
Volte com boas novas
Traga-me uma solução
Ou ao menos a velha duvida
Será que a terei então?

Não agüento mais o que sinto
Sinto que não sinto
Mas sinto...
Sinto que não sei se sinto
Sinto que busco e não busco
Tão próximo do que quero
E tão longe de ter
Tão próximo pois sei que estou próximo
E longe porque posso não querer

Eu me arriscaria?

Eu me arriscaria?

Eu me arriscaria?

Vá duvida!
Não a agüento mais
Não há agüento, mas
Você não tem o que falar
Vá e volte!
Volte com boas novas
Talvez uma solução
Talvez ao menos volte branda
Mas volte duvida...
Sem você não sou poeta

Virá...
Virá...
Virá...

Às quatro da manhã
E tudo que penso é se penso
Quero dormir...
Quero sonhar
Quero lembrar

Oh sonhos venham
Venham, mas vão embora!
Vão e levem de mim
A dúvida e a memória
Tragam na próxima noite
Novas vidas e temores
Pois não agüento mais
Quero outros problemas
Mas que eu sempre os tenha...
Os meus caros problemas

Este deveria ser o fim
Mas nada que acaba em vírgula acaba
Nada que acaba em vírgula
ACABA
Não
Este não é o fim
Ainda tenho tudo que tenho
Não sei de nada
E não como Sócrates
Não sei mesmo...
Mas tem a vírgula
E nada com vírgula
Acaba
Nada
Nada
Nada
Nada
Nada

Fim,

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